Pedro desligou o motor e permaneceu imóvel por um instante, como se qualquer movimento pudesse quebrar o equilíbrio frágil daquele momento. A iluminação suave do jardim entrava pelas janelas, desenhando sombras no rosto de Letícia.
Ela se mexeu no banco, franzindo levemente a testa.
— Já… chegamos? — murmurou, com a voz rouca de sono.
— Chegamos — respondeu ele, quase num sussurro.
Letícia olhou em direção à casa, os olhos ainda pesados.
— Seus pais ainda devem estar acordados… Como eles vão me ver assim?
Pedro esboçou um sorriso discreto.
— Assim como? — provocou, baixo. — Você não é mais a adolescente bêbada que entrava escondida em casa com a minha irmã.
— Ainda assim… é estranho.
Ele riu.
— Não tem nada de estranho. E, do jeito que você anda bebendo, isso ainda vai virar rotina. Parece um carro velho.
— Eeei! — ela protestou, erguendo-se um pouco no banco. — Assim você me ofende. Mal voltamos a ter uma relação de amizade e você já começa desse jeito… desse jeito não vai dar certo.