Letícia acordou desorientada, levando alguns segundos para entender onde estava. Pegou o celular na mesa de cabeceira: 2h30 da manhã. Suspirou ao perceber que ainda usava as mesmas roupas de mais cedo. Precisava de um banho — mais do que isso, precisava se recompor.
Foi até o banheiro. Diante do espelho, prendeu os cabelos em um coque improvisado e se encarou com franqueza.
— Nossa… você está uma bagunça completa — murmurou.
E não falava apenas do reflexo cansado, da maquiagem borrada ou das marcas da noite longa. A bagunça era outra. Interna. Aquela noite tinha sido intensa demais, carregada de emoções que ainda ecoavam no corpo e na memória. Doía perceber que lembrava de quase tudo.
Tomou um banho demorado, como se a água pudesse levar embora o excesso — de álcool, de pensamentos, de sentimentos mal resolvidos. Passou o creme com cuidado, cumprindo seu ritual noturno com a mesma disciplina de sempre, ignorando o avançar da hora e o leve torpor que ainda corria em suas veias.
Vestiu