Laís
A cidade acordou em ponto de ebulição. Na padaria, comentavam com a boca cheia; na rádio, o locutor alongava as vogais como quem tempera fofoca: “Hoje, às onze, coletiva no Hotel Imperial. Felipe Vieira promete revelações”. Eu e Eduardo tomamos café em silêncio, cada um fingindo que o outro não percebeu a mão tremendo na colher.
— A gente não vai. — disse ele, enfim, com a voz que tenta ser rocha.
— A gente não vai. — confirmei, e repeti por dentro como quem amarra um nó.
Na ONG, a equipe