Laís
As manhãs em Santa Amora nunca tinham sido tão contraditórias. Eu acordava com o corpo ainda marcado pelos toques de Eduardo, mas a mente carregava cicatrizes que não cicatrizavam com o mesmo ritmo. Ele dormia ao meu lado, respiração calma, braço pesado sobre minha cintura, e mesmo assim um pensamento insistia: “e se tudo isso escorrer pelos dedos?”.
Levantei devagar, tentando não acordá‑lo. No espelho do banheiro, meu corpo exibia marcas da noite: beijos no colo, arranhões discretos nos