Miguel estava no escritório novo do hotel, ainda inacabado, com o sol da tarde se filtrando pelas vidraças amplas que davam vista para a cidade que ele começava a redesenhar com as próprias mãos. A planta da suíte presidencial estava estendida sobre a mesa quando a porta se abriu, sem aviso, sem permissão.
— Achei que a gente ainda soubesse bater antes de entrar.
Disse Miguel, sem sequer erguer os olhos.
— E eu achei que você teria aprendido a não confiar em ninguém.
A voz era fria. Cínica. Qu