CAPÍTULO 49

O quarto estava escuro.

Não acendi a luz. Não precisei. A claridade da lua entrava pelas janelas enormes, desenhando sombras prateadas no chão de madeira. O silêncio era pesado, mas eu não conseguia ouvir ele. Só os meus pensamentos.

O beijo.

O corpo dele contra o meu.

As mãos dele.

A boca dele.

As palavras dele.

Dessa vez não foi por distração.

Fechei os olhos. Apertei os punhos. Tentei não pensar. Tentei não sentir.

Não funcionava.

Apoiei a testa no vidro frio da janela. A mansão lá embaixo,
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