Dez anos depois.
O tempo, que um dia fora o inimigo, o prazo, a medida da servidão, tornara-se o meio no qual a vida deles era esculpida. E a casa na Vitória, antes uma promessa de vidro e espaços em branco, era agora um testemunho texturizado e vivo do amor que a preenchera. A madeira do chão já não era imaculada; trazia as marcas de triciclos e os arranhões de um cachorro entusiasmado chamado Barão. A moldura da porta da cozinha era um totem sagrado, com pequenas linhas a lápis e datas que ma