O hospital cheirava a desinfetante, desespero e esperança rançosa. Cada passo no corredor frio e iluminado por luzes fluorescentes ecoava o ritmo acelerado do meu coração. A UTI era um território à parte, um santuário de bipes monótonos e silêncios pesados, onde a vida pendia por fios invisíveis.
Fui direto para o balcão da enfermagem. A enfermeira Camila, a mesma da ligação, reconheceu-me imediatamente – talvez pelo vestido manchado e pelos olhos ainda um pouco selvagens do confronto no restau