O choque da adrenalina começava a diminuir, e um tremor fino percorria minhas mãos. Enquanto guiava Eva pelo corredor luxuoso até a saída, sentia o peso dos olhos dos garçons e dos outros comensais que certamente haviam ouvido fragmentos do drama.
Eva apertava minha mão e caminhamos até o carro de Dante, estacionado em frente ao restaurante.
— Elara? — sua voz pequena ecoou ao ar livre.
— Sim, querida?
— A vovó Valéria estava com muita raiva.
— Sim, estava.
Ela pensou por um momento, enquanto a ajudava a entrar no carro e protegê-la em sua cadeirinha.
— Mas você não ficou com medo.
Não era uma pergunta. Era uma observação. Olhei para nosso reflexo: ela, pequena e séria em seu vestido azul; eu, com a mancha de vinho no meu vestido como uma cicatriz vermelha, o cabelo desarrumado, os olhos ainda brilhando com o resquício da batalha.
— Às vezes, Eva — disse, escolhendo as palavras com cuidado, enquanto fechava a porta do carro, nos enclausurando em nosso próprio ambiente — mostrar que