A madrugada no hospital tinha uma qualidade diferente de escuridão.
Minhas costas doíam da cadeira de plástico duro. Minhas mãos, entrelaçadas há tanto tempo, estavam frias e dormentes. Cada minuto era um grão de areia caindo em uma ampulheta invisível, marcando o tempo que minha avó passava com o coração exposto sob as luzes cruas de uma sala de cirurgia.
A impotência era um peso físico, me prendendo à cadeira, me enchendo a boca com um gosto metálico de medo. Rezei. Para santos em quem não ac