HELEN
A pergunta pairou no ar entre nós, carregada de significado múltiplo. Era uma verificação simples? Um teste? O olhar dela era penetrante, analítico, como se estivesse dissecando cada microexpressão no meu rosto.
Ela sabe. A certeza foi um choque gelado. Ela não tinha visto, mas tinha ouvido. Ou intuído. Valéria Herrera tinha um radar para pecado e desordem que era quase sobrenatural.
Forjei uma leve confusão, seguida por um sorriso cansado.
— Completamente sozinha, Valéria. Deve ter sido o sistema de ar-condicionado. Às vezes ele faz uns barulhos terríveis, já reclamei.
Ela segurou meu olhar por um segundo que se esticou em uma eternidade. Seu rosto era uma máscara impenetrável de elegância e curiosidade leve. Então, como se tivesse decidido algo, seu sorriso voltou, mais amplo, mais condescendente.
— Claro — disse, sua voz suave novamente. — O ar-condicionado. Boa noite, Helen. Durma bem.
A porta se fechou atrás dela com um click final.
Não me movi. Não respirei. Fiquei parada