HELLEN
O mundo parou novamente.
Meu olhar voou para a porta do banheiro, fechada, silenciosa. Dentro, um homem. Um homem com o cheiro de mim ainda na pele. Um homem que poderia, com um único descuido, um único espirro, um único passo fora de lugar, destruir tudo.
O sorriso congelou no meu rosto. O sangue bateu nos meus ouvidos.
Valéria me olhava, sua expressão ainda benigna, esperando.
Eu tinha duas opções. Dizer não, e despertar suspeitas que ela nunca esqueceria. Ou dizer sim, e rezar para que o amante lá dentro tivesse o bom senso de um rato e ficasse absolutamente imóvel.
— Claro — ouvi-me dizer, minha voz vindo de muito longe. — À esquerda.
E observei, com um terror gelado no peito, enquanto Valéria caminhava calmamente em direção à porta do banheiro e colocava a mão na maçaneta.
Mas então, o movimento parou. A mão elegante de Valéria, coberta apenas por finas veias azuladas e anéis de diamante, soltou a maçaneta.
Ela se virou para mim, seus olhos azuis-claros — tão diferentes do