HELEN
O champanhe no copo perdera as bolhas há uma hora. Assim como eu. Helen Herrera, sentada na varanda de um apartamento de hotel cinco estrelas com vista para a cidade que nunca dormia, era um paradoxo ambulante. Fora, um monumento ao luxo conquistado. Dentro, um deserto.
A notificação do detetive ainda brilhava na tela do tablet ao meu lado.
“Elara Moraes. Nascida Elara Magnelith Moraes. Filha não reconhecida de Thiago Magnelith e Maria Inês Moraes. Criada pela avó materna após abandono da mãe…”
Magnelith.
A palavra era um soco no estômago, seguido por uma onda de gelo. Não era só uma babá bonitinha com um passado triste. Era uma herdeira. Mesmo que renegada, mesmo que escondida. O sangue dela carregava um nome que, até quinze anos atrás, fazia o de Herrera parecer um novo rico.
O ciúme, que antes era um fogo ácido por ver Dante olhar para ela com algo que não era desprezo, se transformou em algo mais complexo e perigoso. Era medo.
Medo de que aquela garota, com sua dignidade tei