O mundo parou.
A pergunta de Dante ficou suspensa no ar entre nós, tão densa que eu podia quase vê-la. "Esse é o seu modo de pedir para transar comigo?"
Meu rosto pegou fogo. Um calor que começou nas maçãs do rosto e se espalhou como lava por todo o meu corpo, até a ponta dos dedos, que formigavam. Meu cérebro, já sobrecarregado pelo medo da avó, pelo choque da revelação sobre Helen, simplesmente travou. Não produziu palavras. Apenas imagens.
Imagens da cabine escura, onde sua voz era o único ponto de referência.
Imagens do jardim, seu corpo quente contra o meu, a respiração acelerada.
Imagens que meu corpo lembrava, mas minha mente tentava enterrar.
Um som me puxou de volta. Um suspiro baixo, quase rouco, que carregava o fantasma de uma risada. Dante observava meu rosto em chamas com um interesse clínico.
— Ainda bem que estamos em um hospital — comentou ele, a voz seca como papel pão. — Você parece prestes a desmaiar.
A observação, tão prática, me jogou de volta à realidade com um t