MARCY
Ainda podia sentir o papel tremendo nas minhas mãos.
Não era um tremor leve, daqueles que vêm e vão. Era um tremor fundo, que começava nos dedos e subia pelos braços, pelos ombros, pelo peito. Como se o próprio corpo estivesse tentando se proteger do que os olhos acabavam de ler.
As palavras dançavam diante de mim, embaralhadas, como se o universo inteiro tivesse resolvido girar ao contrário. O quarto do hospital estava silencioso. A luz da tarde entrava pela janela, pintando tudo em ton