Capítulo 16

Líria não lembrava de ter sido erguida.

Só do momento em que o chão deixou de existir.

A dor veio depois — fragmentada, distante, como se o corpo estivesse dividido em partes que já não conversavam entre si. Havia um calor firme ao redor dela, braços fortes demais para serem humanos, e um cheiro que não reconhecia plenamente, mas que despertava algo antigo em seu peito.

Terra.

Sangue.

Floresta.

E ele.

Kael se movia rápido.

Rápido demais para quem carregava outro corpo nos braços. Os passos não faziam som algum, apesar da velocidade. Líria sentia o vento rasgar-lhe o rosto, os cabelos grudarem na pele suja de sangue seco, e cada sacolejo arrancava dela uma dor surda que se espalhava em ondas lentas.

Ela não sabia — não podia saber — que cada passo naquela direção era uma violação.

A contenção ainda existia.

Ainda apertava.

Ainda mordia.

Mas Kael avançava mesmo assim.

A cada metro vencido, sentia algo se romper por dentro. Não como uma quebra limpa, mas como fios antigos s
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