Líria não lembrava de ter sido erguida.
Só do momento em que o chão deixou de existir.
A dor veio depois — fragmentada, distante, como se o corpo estivesse dividido em partes que já não conversavam entre si. Havia um calor firme ao redor dela, braços fortes demais para serem humanos, e um cheiro que não reconhecia plenamente, mas que despertava algo antigo em seu peito.
Terra.
Sangue.
Floresta.
E ele.
Kael se movia rápido.
Rápido demais para quem carregava outro corpo nos braços. Os passos não faziam som algum, apesar da velocidade. Líria sentia o vento rasgar-lhe o rosto, os cabelos grudarem na pele suja de sangue seco, e cada sacolejo arrancava dela uma dor surda que se espalhava em ondas lentas.
Ela não sabia — não podia saber — que cada passo naquela direção era uma violação.
A contenção ainda existia.
Ainda apertava.
Ainda mordia.
Mas Kael avançava mesmo assim.
A cada metro vencido, sentia algo se romper por dentro. Não como uma quebra limpa, mas como fios antigos s