Capítulo 12

A dor não vinha em ondas.

Era contínua.

Como se o corpo de Líria tivesse esquecido como relaxar completamente, mesmo quando dormia. Mesmo quando o silêncio da casa deveria significar descanso. O vazio não pulsava — ele ocupava espaço. Um espaço interno que antes não existia, mas que agora se fazia notar a cada respiração incompleta.

Ela acordou antes do amanhecer.

A lua ainda pairava no céu, pálida, distante, sem o peso magnético que costumava exercer sobre seus pensamentos. Não havia chamado. Não havia aquela urgência instintiva de se levantar e seguir em direção à floresta.

Ainda assim, o corpo doía.

Líria levou a mão ao braço marcado.

A pele estava morna, sensível, como se tivesse sido pressionada por dentro durante horas. Não ardia como antes. Não brilhava. Não reagia.

Era só… uma presença sem resposta.

— Então agora é assim — murmurou para o teto. — Você existe, mas não responde.

Tentou racionalizar.

Talvez fosse cansaço. Talvez o acúmulo de noites mal dormidas. Talvez
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