A dor não vinha em ondas.
Era contínua.
Como se o corpo de Líria tivesse esquecido como relaxar completamente, mesmo quando dormia. Mesmo quando o silêncio da casa deveria significar descanso. O vazio não pulsava — ele ocupava espaço. Um espaço interno que antes não existia, mas que agora se fazia notar a cada respiração incompleta.
Ela acordou antes do amanhecer.
A lua ainda pairava no céu, pálida, distante, sem o peso magnético que costumava exercer sobre seus pensamentos. Não havia chamado. Não havia aquela urgência instintiva de se levantar e seguir em direção à floresta.
Ainda assim, o corpo doía.
Líria levou a mão ao braço marcado.
A pele estava morna, sensível, como se tivesse sido pressionada por dentro durante horas. Não ardia como antes. Não brilhava. Não reagia.
Era só… uma presença sem resposta.
— Então agora é assim — murmurou para o teto. — Você existe, mas não responde.
Tentou racionalizar.
Talvez fosse cansaço. Talvez o acúmulo de noites mal dormidas. Talvez