A ausência chegou antes que Líria percebesse o motivo.
Não foi um vazio imediato.
Foi uma mudança sutil, quase enganosa — como acordar e perceber que um som constante havia cessado durante a noite.
O corpo estranhou primeiro.
O aperto no peito, que vinha e ia desde o encontro na floresta, estava diferente. Não mais tenso, mas comprimido, como se algo tivesse sido empurrado para dentro à força. A marca em seu braço permanecia fria, opaca, sem o brilho instintivo que a acompanhara nos últimos dias.
Ela passou os dedos sobre a pele, esperando reação.
Nada.
— Ótimo — murmurou. — Agora até você me ignora.
Tentou se convencer de que aquilo era bom. Que o silêncio significava alívio. Que a ausência daquela presença constante — incômoda, invasiva — lhe devolveria algum controle.
Mas o corpo discordava.
Ao se levantar, sentiu uma tontura breve, como se tivesse se movido rápido demais. O chão pareceu distante por um segundo longo. Precisou se apoiar na parede até o mundo se reorganiza