Parte 35...
Aurora
Acordar com cólicas e dor de cabeça é chato demais. Continuei deitada um pouco mais, pensando em como deve estar a confusão lá em casa. Queria muito falar com Gisele e saber se meu pai já tinha desistido de mim e se ele já tinha encerrado o acordo com o amigo dele. Se não fosse a questão de não suportar mais conviver com ele, até que seria engraçado estar presente na hora que ele fosse confessar que não haveria mais o casamento.
Só sinto pena de minha mãe. Tenho certeza de que meu pai deu um jeito de colocar a culpa de minha fuga em cima dela. Que triste!
Seria mais fácil ela ter aceitado sair daquela casa comigo, desde quando eu pedi, ainda pequena, mas foi sua escolha.
Resolvi sair para caminhar depois de tomar mais um remédio. A dor nas costas, o latejar na cabeça e a sensação de que meu corpo inteiro estava em guerra comigo me empurraram para a beira da praia.
Precisava de ar. Sozinha. Longe de lembranças, longe das perguntas que só o silêncio fazia. Sinto que