Capítulo 58

O sol atravessava as frestas das cortinas com uma calma quase insolente, como se o tempo não tivesse pressa de avançar. Era domingo, mas dentro da cobertura, não havia relógios — só o som abafado da cidade acordando aos poucos e a respiração lenta que preenchia o quarto.

Helena despertou antes dele.

Ficou um tempo ali, imóvel, observando o traço de luz que cortava o lençol e o corpo de Arthur ao lado, meio descoberto. Os músculos relaxados, a expressão serena. Nada nele lembrava o homem que usa
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