Mundo de ficçãoIniciar sessãoEva Cottelo vivia a sua vida o mais silenciosamente que conseguia, afinal, ela precisava disso. Dona de um corpo escultural, que escondia sob roupas largas e um rosto de por inveja em qualquer um, ela lutara muito para conseguir a vaga de enfermeira em um dos hospitais mais requintados do Rio de Janeiro. Todos que a conheciam pensavam que ela era só mais uma enfermeira simples de fala mansa e olhar gentil. Eles não a conheciam de verdade e para Eva estava bom assim, pois havia demorado muitos anos para que ela conseguisse o merecido anonimato. Anton Volkov, um dos nomes mais conhecidos entre os mafiosos mais cruéis da Europa, destruirá cada plano de Eva de permanecer no anonimato, quando um evento trágico, deixa a vida de Anton nas mãos de Eva. Ela terá duas opções ao ver o homem de cabelos escuros e olhos azuis gelados: deixar que ele encontre um fim doloroso e manter sua vida no cotidiano comum ou salvar o homem que tem o poder de virar sua vida de cabeça para baixo. Cheia de segredos, Eva se vê em meio a um ardente desejo que seu corpo a impõe, mesmo que ela saiba que Anton representa tudo que ela teme. Dono de uma vontade de ferro e falta de escrúpulos, Anton vai querer desvendar cada pedaço do passado misterioso de Eva, almejando tomar até o último desejo da mulher que o faz agir por impulso, algo que ele nunca havia se permitido. Poderia o desejo entre ambos, ser forte o suficiente para manter essa ligação frágil deles intacta, a tantas mentiras e destinos cruéis? Eva e Anton não sabem, mas seus caminhos estão prestes a se entrelaçarem irreversivelmente, seja para o bem ou não.
Ler maisEvaEu mal tinha fechado os olhos quando fui despertada pela luz fraca que atravessava a janela alta. A mansão parecia ainda mais silenciosa naquele início de manhã, como se o mundo lá fora ainda estivesse adormecido — ou observando. A sensação de estar sendo vigiada nunca me abandonava completamente, mesmo com o calor de Anton ainda presente no lençol ao meu lado. Ele já havia saído.Levantei devagar, pés descalços tocando o chão de madeira polida. Vesti um dos robes de seda pendurados ao lado da porta do closet — caro demais para ser confortável, mas agradável ao toque. Desci as escadas em silêncio, guiada apenas pelo aroma de café que invadia o corredor. Foi fácil encontrá-lo na cozinha — o homem que comanda com violência uma parte da Europa Oriental, ali, misturando açúcar na xícara como se não tivesse sangue nas mãos.— Dormiu bem? — perguntou ele, sem se virar.— O suficiente para esquecer onde estou por cinco minutos — respondi, apoiando-me na bancada fria.Ele sorriu de lado e
EvaAcordei antes do sol nascer, envolta em lençóis de algodão tão macios que pareciam me prender ali. O silêncio da casa era denso, e a ausência de janelas no quarto me fazia perder a noção de tempo. A única iluminação vinha de uma lâmpada âmbar no canto, lançando sombras suaves pelas paredes.Me sentei na cama, ainda atordoada pela confusão de sentimentos da noite anterior. Havia algo em Anton que me desafiava a cada segundo. Seu jeito de me encarar como se pudesse ler meus pensamentos, seu domínio silencioso do ambiente. Ainda não havíamos cruzado nenhuma linha, mas a tensão estava se acumulando como uma tempestade no horizonte.Levantei e procurei por roupas, e ali, dobrada sobre uma cadeira no canto, havia uma muda simples: uma calça de moletom e uma camiseta. Era confortável demais para vir dele, pensei, mas o tecido era novo, ainda com o cheiro de loja. Me vesti devagar, observando cada detalhe do quarto que ele havia me destinado.A porta destrancou com facilidade dessa vez. S
EvaA Rússia parecia um lugar onde até a esperança congelava.Observei pela janela do carro o mundo coberto de branco. Árvores nuas, o céu pálido e as pessoas apressadas com os rostos enterrados em casacos grossos. Tudo parecia calado. Controlado. Como Anton.Desde que saímos do aeroporto, ele não disse nada. Apenas manteve as mãos firmes no volante, a expressão imóvel. Ainda assim, sua presença preenchia o carro inteiro. Era um silêncio que queimava.Lá fora, a cidade era tão fria quanto o clima. Mas havia algo curioso nos prédios antigos, nas placas em cirílico, na forma como tudo parecia observar em vez de acolher.A sensação de ser estrangeira voltava a cada instante.Acho que nunca fui de lugar nenhum.— Vai me ignorar até quando? — perguntei, cansada daquele vazio.Ele apenas desviou o olhar por um segundo para mim. — Até eu saber que você não vai fugir na primeira oportunidade.— E se eu não quiser fugir?Ele não respondeu. Mas apertou o volante com mais força.A casa parecia
EvaAcordar de um sono induzido nunca é uma experiência gentil. Há sempre uma névoa espessa entre o inconsciente e a realidade, e no meu caso, essa transição parece sempre vir acompanhada de pânico e violência.As pernas são as primeiras a reagir, um tranco seco que choca meus pés contra uma superfície macia. O carpete sob mim absorve o impacto, mas não suaviza o desconforto. Em seguida, meu tronco se ergue com brutalidade, os braços se lançam para frente, e a bile amarga sobe pela minha garganta. O coração martela contra o peito, bombeando sangue em disparada para o cérebro, rápido o bastante para me manter consciente, mas não lúcida.O quarto está em penumbra. Uma lareira crepita à minha frente, lançando sombras dançantes nas paredes. O calor que emana dela é quase reconfortante, mas o medo lateja mais alto que qualquer sensação agradável.— Mas o que… — Tento articular algo, mas minha língua está pesada, os pensamentos desordenados, atropelando-se dentro da cabeça. E então percebo:





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