A água gelada queimava meus pulsos enquanto eu mergulhava a roupa no tanque, esfregando com mais força do que o necessário. A espuma subia em ondas, mas minha mente estava longe dali, perdida na lembrança que me corroía desde o Roseral.
“Pequena rosa”
A voz dele ecoava em mim como um sussurro proibido. Por que havia dito aquilo? Por que parecia olhar para mim como se enxergasse algo que nem eu mesma via?
Meus dedos já estavam vermelhos, a pele ardendo, mas continuei. Talvez, se esfregasse mais forte, pudesse arrancar aquela palavra da minha cabeça.Aquela sensação da minha pele.
— Isabel!
O grito seco fez meu corpo inteiro estremecer. A barra de sabão quase escapou da minha mão.
— Estou te chamando há um bom tempo — Madre Ágata avançou pela lavanderia como uma sombra. Os olhos dela, frios e severos, pousaram nos meus dedos avermelhados. — Está se destruindo de tanto esfregar.
— Perdão, Madre… — murmurei, baixando o olhar.
Ela soltou um suspiro impaciente, inclinando-se sobre m