Quando eu cheguei à cozinha, o ambiente já estava vivo. O cheiro de café fresco e manteiga derretida se misturava ao aroma de blini, ovos e um leve toque doce de pão francês, um pedido especial que Laura mesma tinha ensinado à cozinheira há pouco mais de um ano.
Era curioso: naquela casa de mármore e aço, havia o perfume suave do Brasil no ar.
— Alguém viu a Isabel? — perguntei, com a voz baixa, ainda rouca do sono.
As funcionárias interromperam o movimento imediato e se olharam, até que uma delas respondeu:
— Sim, senhor. A senhora Isabel foi em direção à estufa, cerca de meia hora atrás.
Ergui o olhar para a janela panorâmica. O vidro embaçado revelava o branco crescente do jardim começando a ser coberto pela neve que começava a cair de leve.
A temperatura devia estar despencando, e mesmo assim… ela fora pra lá.
— Nesse tempo — murmurei, mais pra mim do que pra elas. — Claro.
— O que foi? — A voz de Laura soou atrás de mim, suave, carregada pelo frio da manhã. Ela surgiu no