A sala de reuniões estava completamente fechada, isolada acusticamente, iluminada apenas pela luz fria das telas.
No centro da mesa, o sinal da escuta ainda pulsava em ondas verdes.
A voz de Valentina ecoava ali dentro como fantasma recente:
“Ela me deixou para morrer.”
“Eu acordei sozinha no meio do mar.”
“Eu achei que ia morrer.”
Silêncio.
Um silêncio tão pesado que até o ar parecia temer se mover.
Lucas estava sentado ao lado de Rafael… mas era como se estivesse sentado ao lado de um animal selvagem segurando o próprio instinto para não matar.
O assistente Moreira mantinha os braços rígidos ao lado do corpo, pálido, engolindo seco repetidas vezes.
E Rafael…
Rafael estava parado.
De pé.
Mãos apoiadas na mesa.
Cabeça baixa.
Parecia que cada palavra de Valentina tinha sido cravada diretamente na espinha dele.
Um músculo pulsava na mandíbula, marcando o ritmo do ódio.
Ninguém ousou falar.
Até que Lucas, respirando fundo, encarou o inevitável.
— E agora? — ele perguntou, quebrando o sil