CAPÍTULO 43 — QUANDO O CORPO DESABA, O CORAÇÃO AVISA.
A dor foi a primeira coisa que fez Valentina despertar.
Uma dor funda, espalhada, impregnada no corpo inteiro, como se ela tivesse sido castigada por horas, como se ondas tivessem esmurrado seus ossos até perderem a força.
Os braços ardiam.
As pernas pesavam.
O peito doía num ritmo que parecia acompanhar o bip do monitor.
Ela abriu os olhos com dificuldade.
Teto branco.
Luz fria.
Lençóis de hospital.
O soro preso no braço esquerdo puxava sua pele a cada movimento leve.
A boca estava seca.
A cabeça latejava num pulso lento e brutal.
Valentina respirou fundo — e o ar veio frio demais, estranho demais.
Ela virou o rosto devagar, procurando alguma coisa familiar naquele quarto.
Mas não havia ninguém.
Nenhuma presença.
Nenhum barulho.
Nenhuma sombra do homem que a salvou.
O coração dela apertou num reflexo desesperado.
— Rafael…? — a voz saiu fraca, quase nada.
E o silêncio respondeu.
Ela fechou os olhos, tentando organizar pensamentos que vinham em flashes desconexos: mar, chuva, vento, m