O amanhecer em Florença parecia diferente naquele dia.
O céu estava limpo, o vento leve, mas havia algo estranho — uma sensação de calma antes da tempestade.
Larissa estava na varanda, enrolada em um xale claro, observando o sol subir sobre os vinhedos. O café esfriava nas mãos, e a mente estava longe, de volta àquela noite em Atenas.
O olhar de Karalis, frio e ameaçador, ainda a perseguia.
“Não acabou”, dissera ele antes de ser levado pela polícia.
Ela sabia que aquela promessa ainda ecoaria por um tempo.
O barulho da porta a trouxe de volta.
Niko apareceu, o cabelo bagunçado e uma xícara de café fumegante na mão.
— Está acordada desde cedo outra vez?
— Não consegui dormir — respondeu ela. — Sinto que há algo... vindo.
Ele se aproximou e a abraçou por trás.
— A paz assusta mais do que o caos, às vezes.
Ela se virou e sorriu com ternura.
— E você sempre sabe o que dizer.
— É o que um homem faz quando ama. Aprende a traduzir os silêncios da mulher que escolheu.
Larissa o beijou levemen