O silêncio dos Alpes tinha algo quase sagrado.
A neve cobria tudo como um véu, abafando os sons e tornando o mundo menor, mais íntimo — e paradoxalmente, mais perigoso.
Larissa acordou com um ruído distante.
Um estalo seco, metálico, como o som de algo sendo travado.
Ela se sentou na cama, o coração acelerado, e percebeu que o outro lado estava vazio.
— Niko? — chamou em voz baixa.
Nenhuma resposta.
Levantou-se, vestindo rapidamente um casaco sobre o pijama, e seguiu em direção à sala.
A lareira ainda crepitava, mas Niko estava do lado de fora, na varanda, observando a floresta coberta de névoa.
O rosto dele estava tenso, os olhos fixos em algo que ela ainda não via.
— O que foi? — perguntou, se aproximando.
— Há pegadas — respondeu ele, sem desviar o olhar. — Duas pessoas. Elas não estavam ali ontem.
Larissa sentiu o corpo gelar.
— Eles nos encontraram.
— Sim. E não estão com pressa. Querem que saibamos que estão perto.
Ele virou-se para ela, o olhar decidido.
— Vamos sair daqui. Ale