O carro entrou pela porteira da Estância Barreto e foi como se eu tivesse cruzado uma fronteira para outro mundo. Diferente da nossa fazenda, onde a rotina tinha o ritmo devagar da terra, aqui tudo era movimento, ordem, força. Logo na entrada, vi grupos de peões em uniformes iguais, montando ou levando gado, conversando alto, cada um sabendo exatamente o que fazer. Mais adiante, máquinas enormes - tratores, colheitadeiras, caminhões com caçamba alta - trabalhavam nas plantações, barulhentas, imponentes, provando por que esse lugar era chamado de gigante. Cavalos de raça, pelagem brilhante, eram levados para os pastos por tratadores que andavam com postura de quem cuida de ouro. Tudo ali tinha um porquê, tudo era planejado, calculado, construído para crescer sem parar. E eu entendi, naquele momento, por que Otávio Barreto era quem era: ele não tinha apenas herdado terra, ele tinha transformado tudo em um império porque não aceitava o que era "mais ou menos", não aceitava limites, não
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