O médico me observa por um instante, como se estivesse avaliando não apenas meu equilíbrio físico, mas também o que resta da minha sanidade. Depois, seu rosto se suaviza com um sorriso cordial. Um sorriso sincero, educado… talvez até gentil. É estranho ver gentileza assim tão perto de mim. Quase me assusta.
— É um prazer conhecê-la, Rosália diz ele com uma voz baixa, tranquila, que contrasta completamente com o mundo em que estou presa.
Ana, sempre apressada para parecer útil, intervém:
— Posso trazer mais café, doutor?
— Oh, não, não, obrigado, Ana responde o médico, ainda com os olhos em mim.
— Eu gostaria de começar.
A forma como ele olha diretamente para mim me deixa desconfortável. Não acostumada. Não depois de semanas encarando apenas olhares de ódio, nojo, desprezo ou ameaça. Ele então pergunta:
— Tudo bem. Rosália, posso trazer algo para você?
Viro-me para Ana, como se de repente não soubesse mais tomar decisões simples.
— Não, eu estou bem. Obrigada.
Ela concorda com um sor