— Luciano.
Os olhos da minha irmã transbordavam antes mesmo que ela alcançasse a beira do leito; as lágrimas vinham sem pedir licença, e eu não tive tempo de fingir qualquer preparação antes de ser tomado pelo abraço quente que ela me deu.
Ela me apertou com força. Rebati o abraço com uma torpeza que denunciava minha falta de prática com afeto; sempre fui mais hábil em erguer muros do que em derrubar os meus. Felicia era, de todas as coisas que restaram da nossa família, a única que me fazia reconhecer a existência de um sentimento que ousavam chamar de amor. Por ela, eu rasgaria o mundo. Por ela, incendiaria céus e quebraria leis. Era por ela que eu suportava respirações que queimavam porque proteger a minha irmã nunca foi escolha; foi instinto enraizado.
Quando ela se afastou, a maquiagem negra marcava sombras sob os olhos traços em desalinho de uma mulher que tentava manter a aparência intacta, mas cuja estrutura desabava por dentro. O Juiz estava certo: ela estava um caco. O c