Sento-me com os pés sobre a cama estreita e gélida, os braços enlaçando os joelhos como se aquele gesto frágil pudesse me proteger do frio e da solidão que me consomem. A pedra onde apoio a cabeça é fria demais, quase cortante, e há momentos em que penso que poderia congelar ali mesmo sem que ninguém se importasse. Já não sei quantos dias se passaram desde que fui levada ao Tribunal e ouvi, atônita, as acusações que agora mancham meu nome. Quatro, cinco dias? Uma semana? Talvez mais. O tempo perdeu o sentido neste lugar onde o dia e a noite se confundem, e onde a única luz que conheço vem de uma pequena janela coberta por grades enferrujadas. Através dela, apenas vislumbres do mundo exterior: árvores densas demais, cujos galhos impedem que a claridade do sol penetre e alcance meu rosto.
Eles acreditam que eu tentei matá-lo.
Acreditam que beijei meu próprio marido com veneno nos lábios, como se o amor que um dia me prometeram tivesse se transformado em uma sentença mortal.
Ainda esto