Capítulo 62

O som monótono das máquinas médicas era a trilha sonora do meu inferno. Cada bip insistente me lembrava que eu ainda estava vivo e, naquele momento, isso não parecia exatamente uma bênção. O quarto cheirava a desinfetante e solidão, um ambiente frio demais para abrigar um corpo em recuperação e uma alma em ruínas.

O Juiz me observava com aquele olhar clínico, misto de compaixão e desconfiança, enquanto eu ardia em fúria, imóvel naquela cama de hospital. O lençol pesava sobre mim como uma sentença.

— Eu sei o que você está pensando, disse ele, em tom contido, mas firme.

— Está escrito em todo o seu rosto, Luciano.

Sua voz soou como um veredito. Meus punhos se cerraram sobre o lençol.

— Ainda não conseguimos provas para condená-la ele continuou.

— Revistamos o complexo, sua bolsa, o carro… cada centímetro da mansão. Mas não encontramos nada.

Nada.

Essa palavra ecoou dentro de mim como uma explosão silenciosa.

Minha mão trêmula buscou o copo d’água sobre a mesa de cabeceira. Cada mo
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