O som monótono das máquinas médicas era a trilha sonora do meu inferno. Cada bip insistente me lembrava que eu ainda estava vivo e, naquele momento, isso não parecia exatamente uma bênção. O quarto cheirava a desinfetante e solidão, um ambiente frio demais para abrigar um corpo em recuperação e uma alma em ruínas.
O Juiz me observava com aquele olhar clínico, misto de compaixão e desconfiança, enquanto eu ardia em fúria, imóvel naquela cama de hospital. O lençol pesava sobre mim como uma sentença.
— Eu sei o que você está pensando, disse ele, em tom contido, mas firme.
— Está escrito em todo o seu rosto, Luciano.
Sua voz soou como um veredito. Meus punhos se cerraram sobre o lençol.
— Ainda não conseguimos provas para condená-la ele continuou.
— Revistamos o complexo, sua bolsa, o carro… cada centímetro da mansão. Mas não encontramos nada.
Nada.
Essa palavra ecoou dentro de mim como uma explosão silenciosa.
Minha mão trêmula buscou o copo d’água sobre a mesa de cabeceira. Cada mo