Sento-me lentamente na beira da cama, observando a porta se fechar atrás de Luciano. O som do trinco ecoa pelo quarto silencioso, suave, mas carregado de um significado estranho como se cada vez que ele saísse deixasse para trás um fragmento de tudo que eu não compreendo.
Espero, atenta, pelo ruído da fechadura girando, aquele estalo seco que sempre sela meu destino dentro dessas paredes. Mas ele não vem.
Dessa vez, ele me deixou livre.
Livre…
Que palavra irônica.
Meu olhar percorre o quarto mergulhado em penumbra, e o coração lateja no peito com uma inquietação impossível de conter.
Quem poderia estar à procura dele a essa hora da noite? Que assunto o afastaria de mim logo após… aquilo?
A pergunta martela na minha mente enquanto puxo os cobertores e me levanto.
Envolvo o corpo num roupão de seda, tentando ignorar a lembrança física que insiste em permanecer a pele ainda sensível, o corpo ainda trêmulo, a respiração irregular.
A confusão me rasga por dentro. O toque dele me feriu, m