O som de meus passos ecoa pelo corredor, abafado pelo tapete espesso que cobre o chão da mansão. Estou diante do quarto de Rosália, e o silêncio que me envolve parece gritar em meus ouvidos. Meus pensamentos são um vendaval desordenado raiva, confusão, culpa. Não sei ao certo o que me trouxe até aqui: o desejo de resolver algo ou a necessidade de controlar o que já fugiu do meu domínio.
Ana surge de repente, vinda do outro extremo do corredor, equilibrando uma bandeja entre as mãos. Ela empalidece quando me vê, os lábios se comprimindo como se contivessem palavras perigosas.
— Luciano? Sua voz vacila, o olhar fixo no meu rosto. Ela está dormindo, senhor.
Meu peito se expande em um suspiro pesado.
— Eu não me importo.
Dou um passo à frente, mas Ana se move rápido, interceptando meu caminho. Há algo em sua expressão, algo que nunca vi antes um misto de coragem e medo.
— Talvez esta noite o senhor devesse deixá-la descansar.
O ar entre nós parece se tornar denso. Meus punhos se fecha