Três dias se passaram e Rosália permanece trancada no seu quarto, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido para ela e eu não a visito. Sinto um peso estranho que me paralisa, um nó na garganta que não cessa, e ainda assim não cruzo a porta para encontrá-la. Em vez disso, mando Ana, minha governanta e pessoa mais próxima, colher pequenos fragmentos da sua rotina. Quero saber tudo, qualquer detalhe que revele um pouco da alma dela aprisionada ali dentro.
Ana me responde mecanicamente, como se tratasse de um relatório clínico: o que ela come, a hora que dorme, como está o humor... me conta até que Rosália pediu autorização para usar a piscina, e eu neguei, firme. Sei que, mais cedo ou mais tarde, ela terá que sair do quarto. É inevitável. Ela fará parte dos eventos ao meu lado, encontros com outras esposas das Cinco Famílias.
Mulheres que controlam esses ambientes sutis, com sorrisos, almoços, jantares, artimanhas delicadas que garantem que tudo flua sem falhas. Ela não precisará se