Rosalia caminha atrás de mim, e o som de seus passos ecoa baixo pelo corredor da casa. Há algo em sua forma de andar — lenta, contida, quase ferida — que me perturba. Sei que ela está sentindo cada fibra da punição que impus, mas permanece em silêncio, e esse silêncio me atormenta mais do que qualquer grito poderia fazer.
Sinto o ar vibrar entre nós, denso, quase palpável. Tento me convencer de que é apenas raiva, mas não é. Há algo se movendo dentro de mim, um nó que não sei desatar. A cada passo, sinto a lembrança viva da dor que um dia também me pertenceu. Quantas vezes caminhei por esses mesmos corredores, com a pele ardendo, o corpo cansado e o orgulho ferido? Quantas vezes desejei que alguém tivesse piedade — e ninguém teve? Talvez, por isso, eu tenha acreditado que fazê-la sentir o mesmo me traria paz.
Mas não trouxe.
A satisfação que imaginei sentir é uma ilusão. Ela não grita, não chora, não implora. E isso me destrói. O silêncio dela é como um espelho cruel, refletindo a par