Ao longo das duas semanas seguintes, Rosália e eu encontramos um ritmo confortável, quase silencioso, construído dia após dia. Os especialistas vêm à casa diariamente para trabalhar com ela na reabilitação e, a cada nova manhã, há pequenas vitórias que se acumulam. Ela já anda sozinha. Come sozinha. Cuida da nossa filha Rayane sempre que pode, teimosa, determinada, provando para si mesma e para todos ao redor que continua inteira, capaz, presente.
Eu nunca duvidei disso sequer por um segundo.
O orgulho que sinto dela é profundo, constante. Ele surge toda vez que a observo atravessar a sala sem apoio, quando a vejo segurar Rayane com segurança, quando insiste em fazer algo sozinha mesmo exausta. É o mesmo sentimento que cresce em mim ao ver nossa filha mudar e crescer a cada dia. Nós três carregamos as marcas do que vivemos, mas também carregamos a prova de que sobrevivemos.
Ainda assim, existem sombras que insistem em permanecer.
Henrique é a principal delas.
No início, não soube exat