Rayane está bem, Rosália murmura sonolenta quando me acomodo de volta na cama, ainda meio perdida entre o sono e a vigília. Digo a ela que sim, que a nossa filha está dormindo agora, tranquila, e peço desculpas por tê-la acordado sem querer. Ela pisca para mim com aqueles olhos suaves, iluminados apenas pelo abajur de cabeceira, e diz que está tudo bem.
Quando voltamos para a Mansão, pedi a Francisco que ajudasse Ana a reinstalar as luzes na maioria dos quartos. A iluminação agora é mais suave, mais acolhedora. Ainda existem alas mantidas na penumbra, lugares para onde fujo quando sinto necessidade de me esconder de mim mesmo, mas estou aprendendo, aos poucos, a viver na luz novamente.
Rosália agradece por eu ter cuidado de Rayane e estende a mão para acariciar meu queixo barbudo enquanto a puxo para mais perto de mim. Ela comenta que não pretende dormir a noite toda, mas que às vezes o cansaço é tão grande que ela sequer escuta o monitor. Digo que não precisa se desculpar, beijo sua