Dizem que eu posso ir com ela. Eu encaro o paramédico antes que as portas da ambulância se fechem. Ele me oferece um último aceno encorajador, um gesto simples, quase automático.
Ele diz que me encontra lá.
As horas seguintes se transformam em um borrão indistinto. Duas horas que parecem uma eternidade enquanto fico preso à sala de espera do hospital. Ando de um lado para o outro sem rumo, depois desabo em uma cadeira, curvando o corpo para frente e enterrando o rosto nas mãos. Oscilo entre um desespero quase violento e pequenos, perigosos lampejos de esperança que surgem apenas para me torturar ainda mais.
Médicos e enfermeiros passam, entram e saem, trazendo atualizações fragmentadas, sempre cuidadosas demais, sempre incompletas. Exames de imagem foram feitos assim que Rosália chegou. Confirmaram que o bebê está bem. Essa informação deveria me tranquilizar, mas não consegue. Disseram que ela tem três costelas quebradas, um braço fraturado, um tendão rompido na perna e inúmeros arran