O bip constante dos monitores no quarto de Rosália é o único consolo que encontro na escuridão. Aquele ritmo mecânico é a prova de que ela ainda está aqui. Ainda está dentro do próprio corpo, mesmo sem acordar, mesmo distante de mim.
Três dias já se passaram desde a cirurgia. Três dias intermináveis. Ela foi transferida para a UTI, onde os exames continuam sem parar. Todo médico que entra naquele quarto inevitavelmente sai do mesmo jeito, sem respostas, oferecendo o nome de outro colega, outro