O bip constante dos monitores no quarto de Rosália é o único consolo que encontro na escuridão. Aquele ritmo mecânico é a prova de que ela ainda está aqui. Ainda está dentro do próprio corpo, mesmo sem acordar, mesmo distante de mim.
Três dias já se passaram desde a cirurgia. Três dias intermináveis. Ela foi transferida para a UTI, onde os exames continuam sem parar. Todo médico que entra naquele quarto inevitavelmente sai do mesmo jeito, sem respostas, oferecendo o nome de outro colega, outro especialista, alguém que talvez possa ajudar. Eu mando trazer todos. Um desfile constante de profissionais de elite passa por ali, entrando e saindo sem resultados. Não há certezas. Apenas hipóteses.
Alguns dizem que é uma complicação da anestesia. Outros afirmam que pode ser algo metabólico. Um deles, imprudente demais, começou a sugerir que poderia ser psicogênico, um tipo raro de colapso emocional em que o corpo simplesmente se desliga. Eles coletam sangue, fazem exames de imagem, me interrog