Peço que ele pare de dizer aquilo. Peço que pare de repetir que me amava. Digo que somos irmãos, que isso é errado, que sempre foi.
Henrique reage com um riso amargo e pergunta se eu acho que ele não se martirizou por isso. Diz que se odiou por desejar a própria irmã. Afirma que não conseguiu controlar. Que eu sempre tive esse jeito, essa forma de ser que o deixava confuso.
Digo que não. Digo com firmeza. Digo que ele não vai colocar a culpa em mim por pensamentos nojentos que são apenas dele. Nunca fiz nada para alimentar isso. Nunca dei motivo algum. Tudo o que ele fez foi por interesse próprio, por egoísmo, por inveja.
Vejo sua expressão escurecer lentamente. Ele parece se perder dentro da própria cabeça. Observo sua aparência desgrenhada, o rosto cansado, os olhos fundos. Vejo o maço de cigarros quase vazio jogado sobre a mesa.
Pergunto se ele teve alguma coisa a ver com o sequestro de Charlotte.
Henrique franze a testa, claramente confuso.
Ele pergunta quem diabos é Charlotte.
Di