Não sei quanto tempo passou. Um dia, talvez dois. Perdi completamente a noção. Não estou trancada no quarto, mas também não saio. Não porque alguém me impeça, mas porque não existe para onde ir. Não há fuga possível desse sentimento. Dessa dor que se instala no corpo, na mente, na alma. Ela me acompanha onde quer que eu esteja.
Meu pai está morto.
Assassinado pela mão do meu marido.
Dois homens que eu amo. Ou amava. Talvez as duas coisas ainda coexistam dentro de mim, misturadas de um jeito cru