Depois de tomar banho em um dos banheiros de hóspedes e lavar das mãos o sangue que ainda parecia grudado à minha pele como uma lembrança indesejada do espelho de Henrique, visto as roupas limpas que Ana separou para mim. O corpo está exausto, pesado por ter dormido tão pouco, mas a mente permanece em alerta constante. Não consigo descansar. Estou inquieto demais, ansioso demais para ver minha esposa.
Passei toda a manhã verificando os alertas da porta, atento a cada atualização enviada pelo médico e por Ana. Rosália comeu um pouco. Pouco demais, mas ainda assim alguma coisa. Isso já é mais do que eu esperava. Ela continua na cama, alternando entre crises de choro silencioso e longos períodos encarando o teto branco, como se estivesse tentando desaparecer dentro daquele vazio.
Ruth está lidando com tudo melhor do que eu imaginava. Ana tem feito questão de mantê-la ocupada, oferecendo distrações simples, mas eficazes. Filmes antigos, quebra-cabeças espalhados pela mesa da sala, pequena