Algo está errado. Eu sinto isso antes mesmo de abrir os olhos. É uma sensação estranha, pesada, como se o ar estivesse mais denso dentro do quarto. Quando acordo, estou sozinha outra vez. A cama ao meu lado está fria, intacta, sem o menor sinal de que Luciano ainda estivesse ali ao amanhecer. Eu sei que ele dormiu por algumas horas, porque senti o peso do corpo dele ao meu lado durante a madrugada, mas ainda estava escuro quando ele se levantou e saiu, silencioso, como alguém que foge dos próprios pensamentos.
As palavras dele continuam ecoando na minha cabeça, insistentes, incômodas, fora de lugar. Todos nós cometemos erros. Espero que você seja rápida em perdoar o meu.
Nada nisso combina com Luciano. Ele não é alguém que pede perdão. Nunca foi. Ele não é alguém que reconhece erros com facilidade, muito menos alguém que espera compreensão. Luciano não perdoa. Ele cobra. Ele pune. Ele guarda. Ou talvez dependa de quem erra. Talvez ele saiba ser cruel com uns e indulgente com outros.