— Acho que essa é a minha deixa.
As palavras saem quase sozinhas, como se meu corpo soubesse antes de mim que aquele momento havia terminado. A visita foi curta demais. Rápida demais. E, por um instante cruel, eu me pergunto se aquilo não foi a maneira silenciosa de Luciano me dizer que não machucou meu pai.
Ainda.
Não digo mais nada. Não olho para trás. Saio do quarto e deixo que Francisco me conduza de volta para casa em um silêncio pesado, daqueles que gritam mais do que qualquer discussão. Ainda é meio da manhã quando atravesso a porta principal. A casa está quieta, organizada demais, viva apenas pelo som distante da governanta seguindo sua rotina.
Subo as escadas para trocar de roupa. Penso em vestir um maiô e algo leve por cima. O plano é simples: piscina, água, silêncio. Mas, no meio do caminho, meus passos me traem. Em vez de seguir direto, atravesso a entrada secreta do quarto do bebê.
Não entro ali desde aquela outra manhã.
As caixas ainda estão empilhadas, presentes enviado