— Eu a ajudei, Rosália meu pai diz, com a voz baixa, cansada. Você era muito jovem para entender qualquer coisa naquela época.
Meu coração acelera. O peso da frase é maior do que parece.
— Você a ajudou a fugir? Pergunto, sentindo a garganta apertar.
— Ajudei. E fiz o que achei certo ele responde, sem desviar o olhar. É muito difícil para uma mãe solteira sobreviver lá fora. Muito mais do que você imagina. Tenho certeza de que agora você consegue compreender isso melhor.
— Mas por quê? Insisto. Por que você se envolveu tanto?
Ele suspira fundo, como se essa pergunta estivesse guardada há anos.
— Porque eu jamais forçaria uma mulher a se casar com alguém que não ama. E quando descobri que ela estava grávida do filho de outro homem… bem, aquilo mudou tudo. Ele fez uma pausa. Pelo menos ela teve coragem de encarar a verdade e sair daquela situação antes que fosse tarde demais.
— Mas a Facção…começo a dizer.
— Não vem antes da minha família ele me interrompe, com firmeza. Eu cometi es