Rosália está sentada na escada quando entra pela porta da frente. O corredor está às escuras, silencioso demais, e ela parece ainda menor envolta naquele roupão de banho largo, como se estivesse tentando se esconder do mundo dentro do próprio tecido.
Meu primeiro pensamento não é carinho. É presságio.
— O que você está fazendo sentada aqui no escuro? Pergunto, largando as chaves sobre o aparador.
Ela ergue o rosto devagar. Os olhos estão cansados, mas determinados demais para aquela hora da noite.
— Precisamos conversar, Luciano. Eu não vou dormir sem ter essa conversa.
O peso da frase cai sobre mim antes mesmo de eu responder. Suspiro, já sentindo o gosto metálico de uma discussão inevitável. Ainda assim, me aproximo, estendo a mão e a ajudo a levantar.
— Venha. Vamos lá para cima.
Ela não discute. E isso deveria me tranquilizar… mas não tranquiliza. Nunca é tão simples com Rosália. Fecho a porta do nosso quarto atrás de nós e jogo a jaqueta em qualquer lugar.
— Estou preocupada com