Capítulo 192

Só então percebi algo que me atingiu como um golpe silencioso no peito: meu pai estava no mesmo prédio que eu quando fui trazida para cá depois do incidente da aspirina. Enquanto eu estava confusa, sedada, assustada, ele estava apenas alguns andares acima. Vivo. Acordado. Mantido atrás de portas reforçadas, inacessíveis para qualquer pessoa que não tivesse autorização explícita para estar ali. Com um guarda extra à porta, como se o mundo inteiro fosse uma ameaça.

— Ele estava aqui o tempo todo?

Minha voz sai baixa, quase um sussurro incrédulo.

Luciano apenas assente enquanto me guia pelo corredor silencioso até o último quarto. Seus passos são firmes, controlados, como se cada movimento dele fosse calculado para não deixar nada escapar.

— Por que você não me contou? Pergunto, sentindo algo entre mágoa e confusão crescer dentro de mim.

— Você não perguntou.

As palavras são simples. Diretas. E, ainda assim, me desarmam.

— Você teria contado?

Ele para por um instante, vira o rosto para
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