Capítulo 18

Sinto — um som que vem do fundo do peito e se arrasta pela garganta — quando percebo que há outra presença dentro do confessionário comigo. O ar parece encolher, os próprios pingos do meu coração ficam maiores e mais lentos. Por um instante, me agarro à crença de menina: pensei n’Ele — em Deus — imaginando que fosse a Sua voz que me cercava. Talvez fosse um padre. Talvez seja apenas a igreja, que respira com vozes que pertencem ao tempo. Ainda assim, eu continuo rezando, porque rezar é tudo o que sei fazer quando o mundo vira uma mão fechada.

Me vem à cabeça Eva — sempre Eva, como se ela suportasse mais peso do que qualquer outra mulher. Penso nela ousando, deixando-se levar, fazendo o que a serpente sussurrara. Penso em fugir, aí sim reconhendo minha covardia: eu poderia ter corrido, ter cruzado a cidade, ter desaparecido antes que o véu me prendesse. Mas aqui estou. A vontade de partir volta, rasga meu peito, e eu a empurro para um lado, porque existe algo maior e mais brutal: o olh
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