Aonde eu ando tem um maldito relógio antigo a me lembrar que o tempo é um carrasco. Tic. Tac. Tic. Tac. Ele não diz nada que eu já não saiba: que certas horas chegam para corrigir injustiças, ou para lançar o alento final sobre cadáveres frios. Acho que estou começando a odiar todo tipo de relógio. Vou mandar arrancar todos do meu campo de visão — inclusive os relógios nas paredes que registraram a minha vida enquanto era esculpida por mãos que nunca me amaram.
O terno me aperta como se também quisesse impor sua disciplina. Suo por baixo dele — suor que não tem a ver com calor, e sim com a raiva que me ferve. Meu coração bate como se tentasse fugir do peito, como se não quisesse aceitar o papel que me foi devolvido: sobrevivente. Mas eu não deveria sentir coisa alguma além de controle. Esta noite, porém, tudo soa deslocado. Tudo dói.
Que merda aconteceu comigo para que respirar se tornasse uma tarefa?
Cheguei à Catedral ligeiramente antes do horário marcado. Casamentos e batizados, ce